quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Pesadelo

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018 09:11 Que estranho Acabo de acordar, com sensação de amnésia. Hoje é quarta - feira de Cinzas. Meio atordoada. Sem noção. No meu pensamento era tarde de terça-feira. Levantei da cama, com a mente vazia. Olhei o relógio e não acreditei: 9 horas da manhã. Não é possível. Pensei que eram três da tarde de terça! O relógio tá errado. Fiquei andando pra lá e pra cá, feito um zumbi. Olhei pela janela como que pra confirmar que era de manhã. Olhei o smartphone para ver a hora. Não acredito. É isso mesmo! Demorou para eu conseguir sair da mente vazia que eu estava. Ontem, ao acabar a novela, 22:30, deitei-me e dormi imediatamente. O que não é normal. Acordei às nove da manhã, que também não é normal. E só acordei porque estava tendo um pesadelo. Sentei- me. Sinto- me aliviada, pois tive a sensação de que alguém me libertou do sonho. Sentir a mente confusa é uma sensação horrível, me senti sedada, num transe hipnótico. Uma coisa eu sei: no pesadelo me senti desesperada, porque não encontrava a minha nova casa que ficava no meio do nada num extenso campo de terra a céu aberto. Uma casinha de blocos, sem pintura. Saí da casa conversando com um homem desconhecido que por lá passava, alto e claro, que logo foi embora. Ao voltar, caminhei bastante, mas não encontrava a casa. Algumas poucas pessoas, naquele lugar deserto, tentavam me ajudar... Acordei num desespero só. Dinorá 14.02.2018

domingo, 11 de fevereiro de 2018

A observadora

domingo, 11 de fevereiro de 2018 12:28 Bairro paulistano Santa Cecília têm algumas peculiaridades. Desde que moro aqui, tenho observado algumas. É um bairro totalmente arborizado. Prédios altíssimos. Amplo comércio. Lugares ótimos para saborear a gastronomia de Sampa. Agências bancárias, cartório de notas. Lojas com todo tipo de serviços, lotéricas, padarias, igrejas, bancas de jornal, supermercados.... Caminho por suas alamedas, calçadas em bom estado de conservação. As folhas caem levemente das árvores, sobre a minha cabeça, durante as minhas caminhadas. O calor é intenso. É quando volto para casa , ao entrar debaixo do chuveiro, que percebo as folhas nos meus cabelos, que caem com a água do banho. E eu digo a elas: minhas amiguinhas, não tinha nem percebido que vocês estavam aí! Outra coisa que me chama a atenção é o burburinho do movimento intenso, desde muito cedo. É assim todos os dias , o dia inteiro, com exceção de domingo. Ônibus, helicópteros, carros, buzinas em sintonia, ambulâncias sempre com sirenes ligadas, viaturas de polícia, também pedem passagem. Pessoas pra todos os lados. Estudantes para a escola, garis limpando as guias e calçadas, vendedores ambulantes com seus carrinhos abarrotados de frutas fresquinhas. Trabalhadores de todas as categorias fazem o mundo girar. Outra coisa: aqui têm muitos idosos que saem a caminhar com seus pets. Outros, sentam-se num dos bancos da praça, sem se preocuparem com os transeuntes. E aqui, o que mais entristece: número imenso de pessoas jovens e adultos, que dormem nas ruas durante o dia. Já me disseram que essas pessoas passam as noites perambulando, pois temem serem molestadas e até assassinadas enquanto dormem. Aos domingos, o silêncio impera! A feira livre é ótima. (É o único lugar barulhento nos domingos. Os feirantes gritam para chamar a freguesia).Tem de tudo. Muitos camelôs, com suas tranqueiras, ocupam as calçadas , atrapalhando às pessoas que vão e voltam da feira com seus carrinhos. A maioria das pessoas vão passear. Os idosos vão à Missa, na Matriz do bairro. As crianças vão para as piscinas e áreas de lazer dos edificios onde residem. É assim. Vida que segue. E eu só observando. Dinorá 11.02.2018

Romeu e Julieta

domingo, 11 de fevereiro de 2018 11:46 Dia de feira livre Fui até o final da feira de domingo, para encontrar algo, que eu salivava só de pensar. Há seis meses, eu não comia meu queijo preferido e aqui, onde moro, não o encontrava em lugar nenhum. Até que o encontrei na feira, mas não pude comprá-lo, pois a feirante idosa, baixinha e de cabelos brancos, não aceitava cartão. Hoje, então, voltei à feira e lá, na última banca estava meu queijo meia cura, da Serra da Canastra, Minas Gerais. Esperei ser atendida, pois um senhor que chegou ao mesmo tempo que eu, pediu o que queria, pois eu ainda não acreditava que ali estava o meu queijo. Fiquei muda com tanta salivação. O feirante idoso, baixinho, de cabelos brancos, gentilmente me atendeu: - Esse queijo é meia cura? - Sim, da Serra da Canastra, Minas Gerais. - Quanto é essa metade? - Vinte e cinco. - Só vou levar porque estou com muita vontade, mas está caro. Ele tentou fazer uma piadinha, ficou sem graça e desconversou. Ele perguntou: pra quando é...? Ele percebeu que eu não poderia estar grávida, mas resolveu 'matar" minha vontade na hora. Nessa altura do campeonato, três outras pessoas aguardavam o final da história, para serem atendidas. - A senhora vai provar agora! Tirou uma fatia e me deu! - O senhor, por favor, me dê um pedaço de goiabada cascão também. E voltei pra casa, feliz da vida! Que domingo maravilhoso! Ah...ia me esquecendo: a esposa dele, estava lá. Os dois velhinhos juntos, trabalhando ! Que bênção! Dinorá 11.02.2018

sábado, 27 de janeiro de 2018

O tombo

sábado, 27 de janeiro de 2018 14:25 O tombo Os óculos se afundaram no meu rosto. O olho esquerdo ficou roxo. O nariz inchou e ficou ferido por causa da pressão dos óculos sobre ele. Os dentes feriram meu lábio inferior, que sangrou muito. Tinha acabado de levar um tombo daqueles! Dei um grito de dor e de susto tão alto que jamais eu dera! Caí de cara no chão, depois de tropeçar numa grade de ferros, dessas que tampam os serviços de energia da prefeitura. Pura distração. Ontem, fui assistir à apresentação de uma orquestra sinfônica, no teatro Municipal, que fazia parte das comemorações dos 464 anos da cidade de São Paulo. Enquanto não dava a hora de entrar no teatro, fiquei andando pelas proximidades, até que tropecei e caí. Por sorte, a queda foi ao lado de uma viatura da Polícia Metropolitana. Com o meu grito, dois policiais saíram da viatura, me socorreram e me levaram para o posto de atendimento do Corpo de Bombeiros do próprio teatro. Lá, mediram minha pressão, limparam o sangue que escorria do meu lábio, fizeram um tipoia, pois a dor no braço esquerdo era muita. Depois de recuperada, um bombeiro me acompanhou até a porta do teatro. Subiu a escadaria. Perguntou se eu estava bem . E eu entrei para assistir ao espetáculo, que durou uma hora e meia. Saí de lá, fui direto pra casa. Só depois de algum tempo, consegui retirar a calça jeans que vestia e pude ver o estrago no meu joelho direito . Estou de repouso até agora. Graças a Deus as dores diminuíram. Dinorá 27.01.2018

domingo, 21 de janeiro de 2018

Escolhas

domingo, 21 de janeiro de 2018 19:25 A partida (Reflexões) Às vezes eu entendo, porque eu mesma dou uma explicação para o tipo de vida que escolhi pra mim. Viver sozinha e distante dos entes queridos me ajuda a aceitar o momento da partida, da separação definitiva. Imaginem conviver o tempo todo ao lado de alguém e de repente essa pessoa morre. Imaginem ficar sem ela para sempre. É doloroso. Tento me preservar desse sofrimento, vivendo distante das pessoas, pois quando elas se forem, a impressão é de que elas permanecem vivas, estão logo ali, em suas casas. Não vou sofrer muito com a perda. Muitos já se foram: pai, mãe, irmã, tia, tio, sobrinho, marido, sogra... e eu estava distante de algumas e próximas de outras. O sofrimento de quem convive é pior, por isso a necessidade de viver só. Há outras explicações para essa minha opção de vida. Essa é uma delas. Dinorá 21.01.2018