terça-feira, 19 de setembro de 2017

  Guarulhos, 18 de setembro de 2017.

A primeira vez

          Interessante que passamos por um certo "sofrimento" quando   somos "marinheiros de primeira viagem".
              Hoje é aniversário da minha filha Elaine, 48 anos.
              No meio às comemorações vieram as lembranças.
        Eu, uma jovem de 20 anos na época, recém casada, senti as primeiras dores do parto da minha primeira filha. E foram muitas dores fortíssimas!
             Fui 'abandonada' pelos médicos, numa sala chamada 'sala de dor', no oitavo andar de um hospital, em São Paulo. Durante 8 horas! Primeira filha, eu, assustada, com tanta dor, pensava que o melhor seria gritar, pois achava que ia ter a criança sozinha. Eles 'fingiam' não me ouvir porque eu tinha que passar por aquilo. E, eu continuava: me ajudem, estou com muita dor! O que eles poderiam fazer senão esperar!?
            Fazia força, me agarrava nas grades da maca para ter mais força e gritava: eu vou me jogar daqui! Mãe! Socorro!
            E pela primeira vez na vida me senti só!
            Enquanto isso, os médicos estavam tranquilos, sabiam que ainda não era hora do parto. Mas eu não sabia! Pra mim, era um mistério, pois em 1969, ninguém me falou sobre o assunto! Casei na maior 'inocência'. Não imaginava o que iria passar 'naquela hora'. A minha indignação era tanta que eu cheguei a pensar que antes não tivesse casado e muito menos engravidado.
           Ela nasceu de parto normal! E, eu, com vergonha e decepcionada! Como!? Tanta dor e nasce uma bebê tão pequena! Não era pra tanto, mãe!
            Acontece que eu era 'marinheira de primeira viagem'!
        Depois, tive mais três filhos e já sabia das coisas, procurava controlar a minha ansiedade e lidar melhor com as dores do parto.
            

                     
                 




quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Autorretrato




               Nasci no dia 30 de maio de 1949, no hospital e maternidade Leonor Mendes de Barros, no bairro do Brás, São Paulo. Quando pequena, morei com meus pais, na Vila Guilherme, Vila Maria.
Quando eu estava com 6 anos, meus pais se separaram. Eles tinham três filhos. Uma vida desgraçada por causa do alcoolismo do meu pai, que foi internado pra se livrar do vício.
Minha mãe foi para um abrigo de acolhimento para mulheres separadas, chamado Amparo Maternal. Pelas minhas lembranças, minha mãe disse que era na Vila Clementino. Ficamos eu, minha mãe, minha irmã, com cinco anos, naquele local. Meu irmão mais velho não pôde ficar, porque já era grandinho. Teve que ficar com nossa tia, num bairro distante do nosso. Alguns meses depois, pudemos sair de lá e voltar pra casa, depois de uma conversa que a assistente social teve com meu pai, que prometeu que deixaria a bebida. Nasceu meu irmão caçula.
Foi nessa ocasião, que meu irmão voltou pra casa e minha mãe me deixou com essa tia, pois ela não tinha filhos e se acostumou com o menino, mas a minha mãe, achou por bem, me deixar, ao invés do meu irmão.
Nos dois anos que fiquei morando com minha tia, ela me matriculou na escola. Cuidou de mim.
Eu peguei um amor muito grande pela minha tia Anésia, que quando minha mãe foi me buscar de volta, eu chorei muito, não queria me separar dela.
Continuei os estudos na Escola Pública. Eu ia completar treze anos, quando prestei exames na melhor escola pública que existia na época. Minha mãe sempre se preocupou com nossos estudos. Frequentávamos a Igreja Católica Nossa Senhora da Candelária, onde fiz a primeira comunhão. Outra preocupação da minha mãe era que tivéssemos orientação religiosa. Ela era costureira e fez o meu vestido longo pra aquela ocasião. Eu estava, então, com 10 anos quando concluí as aulas de catequese com o padre Augusto.
Eu passei nos exames rigorosos e pude frequentar aquela escola, que apesar de ser distante de casa, frequentei durante os melhores anos da minha vida!
Meu pai era motorista, não largou o vício, mas fomos levando nossa vida. Ele me levava bem cedo ao ponto de ônibus, todos os dias para ir ao “Instituto de Educação Padre Anchieta”, no bairro do Brás, na avenida Celso Garcia, em frente à rua do Hipódromo. Era 1962.
Fato curioso é que no primeiro ano em que lá estive, só meninas frequentavam a escola. No ano seguinte, deram oportunidade para que os meninos também estudassem lá.  A sigla da escola que eram as letras IFEPA (Instituto Feminino de Educação Padre Anchieta) passou a ser IEPA. O distintivo era um triângulo vermelho, bordado do lado esquerdo da blusa branca do uniforme, que a minha mãe me fizera.
Lá, passei seis anos. Fui reprovada na quinta e na sexta série em Matemática. Em 1967, terminei a oitava série. Participei do baile de formatura, cujo vestido longo, com uma fenda do lado esquerdo, foi feito pela minha mãe. Era 1968.
Em 22 de novembro de 1963, a morte do presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy comoveu o mundo inteiro. Foi assassinado. Eu o admirava muito.
Foi nessa escola, que conheci o amor da minha vida, mas nem sequer namoramos.
Em janeiro de 1969, me casei. Tive um casal de filhos. Depois de 18 anos, nos separamos. Em 1987, falece meu pai. Nesse mesmo ano, conheço meu segundo esposo. Tive mais um casal de filhos. Nessa época, já estava há 5 anos lecionando em escola pública, lecionando Português e Inglês, onde permaneci por 28 anos. Fui professora por opção. Não tinha vocação, apesar de sempre gostar de estudar.
Agora, aposentada, escrevo sobre o cotidiano, no meu blog. Gosto de fazer crochê... leio as notícias todos os dias, assisto aos vídeos das minhas inscrições, pelo You Tube...isso tudo me ajuda a não sentir tédio. Em 2013, minha mãe falece e em 2015, minha irmã Nair também se foi desta vida. Meu irmão mais velho mora com a família no Tatuapé e o meu irmão caçula mora sozinho, num bairro próximo ao meu.
Nesse mesmo ano de 2015, em julho, fui à passeio ao México, a convite de meu amigo Rodrigo. Lá, permaneci por oito dias. Tenho ido a Goiânia desde 2008, visitar minha filha mais velha que mora lá, desde 2005.
Em dezembro de 2016, por opção, resolvi vir morar com minha filha Mayara. O meu filho Júnior mora em Sorocaba e o meu filho Felipe se casou e mora na mesma casa que eu morava.
E assim vou vivendo e revivendo minhas lembranças, até o dia que Deus quiser me levar desta vida. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Personagem oculta




            Ela voltou.
          - Entre. Sente-se.
          E na penumbra da minha sala, ela deitou no divã.
          - Começamos a nos olhar, entre abraços, beijos e carícias. Depois das preliminares, naquela antiga cama, nos encaixamos e fizemos amor. Estava tudo tão bom, mas ele, como sempre, terminou antes... e virou estátua, exausto. E eu pedi...espera. E num frenesi, atingi o êxtase. Exausta, relaxei. E num sobressalto, acordei! Estava sonhando! Fiquei por alguns minutos, sentada na beira da cama, pensando...Há muito tempo estou só, há meses, anos, quase não penso em sexo. O que está acontecendo comigo, doutora?
          - O que você anda assistindo ultimamente? Algo que pra você é especial.
          - Diariamente, estou acompanhando tudo que um jovem ator, da novela das seis, posta no twitter e no Instagram. Pura admiração!
          - É o seu inconsciente que age enquanto você dorme. Por isso, o sonho. Temos domínio sobre o inconsciente, o controlamos quando estamos acordados, mas quando dormimos, isso não ocorre. A psicanálise explica, Freud explica! Sonhar faz bem. Não significa necessariamente que você precisa ter alguém. O sonho te satisfaz.
          - Entendi. Obrigada, doutora! Até a próxima!
         

sexta-feira, 28 de julho de 2017



SUICÍDIO


          Hoje, ao despertar, às 7:30h, meu primeiro pensamento foi para o caso do vocalista do Linkin Park que se suicidou no último dia 20 de julho, em sua casa, próximo a Los Angeles, na Califórnia.
          Chester Bennington, 41 anos, não deixou sequer uma carta de despedida. Imagino, ou melhor, não dá pra imaginar o tamanho da dor que a viúva Talinda está sentindo.
          Como diz Talinda Bennington, ele era uma alma brilhante e amorosa com a voz de um anjo. Ela diz que perdeu sua alma gêmea e os filhos perderam seu herói.
          Todos ficaram abalados: componentes da banda e de outras bandas, fãs pelo mundo todo, amigos, familiares... uma verdadeira tragédia!
          Ele se foi, acabou o sofrimento dele... e nós, como ficamos com esse duro golpe!? Ficamos muito tristes e pensativos!
          O que acontece, que tipo de transtorno ocorre na mente de quem comete um ato desses? Será que existem causas, motivos, tristeza extrema? Como uma pessoa pode chegar ao ápice do desespero, não encontrar saídas? E sem ninguém perceber, vai se aproximando do abismo, para encontrar alívio para suas dores! Será que ele deu alguma pista, algum alerta e ninguém percebeu que ele estava mal???
          E ele estava muito mal. A morte do seu amigo e fã, Chris Cornell, também de suicídio, em 26 de maio deste ano, abalou infinitamente a Chester Bennington.
          Ele se foi e deixou seus milhares de fãs estarrecidos.
          Como os poetas e os escritores, os artistas também ficam eternizados nas mentes e nos corações dos que lhes querem bem!
          Descanse em paz, BENNINGTON!
                                                                                                                          
                                                                      
                                                                                               28.07.2017
                                                                                                         Dinorá         


        
         
                                                                                                                          
                                                                      
                                                      
         

domingo, 23 de julho de 2017

A Morte

         A realidade sobre a morte só se torna presente e constante em nossos pensamentos com o passar dos anos. E em especial, na velhice.
           Isso acontece quando começamos a perder nossos entes queridos e nada podemos fazer para impedir que eles nos deixem. Por mais que se diga o contrário, é difícil continuar a nossa vida sem as pessoas que queremos bem. Percebemos, então, que estamos na fila, à espera que a nossa vez chegue.
          Às vezes, queremos que ela chegue logo, outras vezes, que ela demore a nos levar. Vai depender do nosso estado de espírito, que muda diariamente: um dia, nos sentimos felizes, alegres, animados, esperançosos...queremos viver! Porém, nos dias que estamos nos sentindo solitários, tristes, desanimados, queremos que a morte nos leve.
          Quando se é jovem não se tem tempo de pensar nessa realidade. Ainda bem que os jovens têm outra prioridade: VIVER!
          Depois de uma certa idade, lá se vão as ilusões! A nossa saúde se torna mais frágil... Quase tudo na vida perde o encanto. A solidão...ah! a solidão é uma companheira constante e a preferida dos idosos! É na solidão das madrugadas que pensamos em nossas vidas, sem interferência de ninguém. E é nessas horas que mais se pensa na morte. É nessas horas que oramos e agradecemos.
          Muitas coisas deixamos de fazer, mas em compensação, muitas outras coisas foram feitas. Pesamos em nossas balanças mentais os prós e os contras. Entre as coisas que fizemos, erramos e acertamos. E tudo valeu a pena.
          Hoje, o que nos resta é admirar a natureza. Deus tudo fez e com perfeição. O tempo de vida que nos resta é suficiente para a contemplação.
          E quem sabe, entender os desígnios do Pai Celestial: nascemos e vamos morrer, um dia. E se formos merecedores, teremos um lugar no Céu.

(À Nair, mana querida - in memoriam )