domingo, 12 de janeiro de 2020

Colo dos anjinhos mortos

Eu os abortei. Eram gêmeos.
Por ignorância
Por insensatez
Por insegurança
Por covardia
Por vingança
Por ser infeliz
Por desamor
Por não os desejar.

E hoje, num desvario,
quero-os comigo.
Tenho-os comigo.
E os faço ninar.
E os acaricio.
E balanço os berços,
quando os ouço chorar.
Perdoem-me.
Perdoem-me.

Só hoje
Tenho a dimensão
do meu erro.
Não os esqueci jamais.
Esse é o peso da minha cruz.
Deus a todo pecado perdoa...
mas eu não me perdoo.
Que infame eu fui!
O que fiz com a minha luz?

Segredo,
Que deixa de ser segredo.
Se fosse nos dias de hoje,
seria diferente.
Quando se é jovem,
a falta de juizo é grande.
Medo do julgamento alheio...
Eu não sabia do julgamento divino!!!
Desorientação...
Mente confusa...
Atitude insana.


Segredo desvendado.
Parece irreal, mas é fato.
Só agora decidi expor.
Eu os afago no meu colo vazio. Eles nunca estiveram
nos meus braços!
Eu os abortei!
Perdoem-me!
Perdoe-me, meu Deus!

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