Eu os abortei. Eram gêmeos.
Por ignorância
Por insensatez
Por insegurança
Por covardia
Por vingança
Por ser infeliz
Por desamor
Por não os desejar.
E hoje, num desvario,
quero-os comigo.
Tenho-os comigo.
E os faço ninar.
E os acaricio.
E balanço os berços,
quando os ouço chorar.
Perdoem-me.
Perdoem-me.
Só hoje
Tenho a dimensão
do meu erro.
Não os esqueci jamais.
Esse é o peso da minha cruz.
Deus a todo pecado perdoa...
mas eu não me perdoo.
Que infame eu fui!
O que fiz com a minha luz?
Segredo,
Que deixa de ser segredo.
Se fosse nos dias de hoje,
seria diferente.
Quando se é jovem,
a falta de juizo é grande.
Medo do julgamento alheio...
Eu não sabia do julgamento divino!!!
Desorientação...
Mente confusa...
Atitude insana.
Segredo desvendado.
Parece irreal, mas é fato.
Só agora decidi expor.
Eu os afago no meu colo vazio. Eles nunca estiveram
nos meus braços!
Eu os abortei!
Perdoem-me!
Perdoe-me, meu Deus!
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