sábado, 4 de novembro de 2017

A agulha e a linha



Ao pegar a minha saia preta para costurar o cós na cintura ouvi o seguinte diálogo:
- Vamos, minha quase amiga!
 - O que vamos fazer hoje? 
- Bem, pensei em melhorar o acabamento do cós desta bonita saia preta e facilitar na hora que madame Justine for vesti-la. 
- É pra já. Que dificuldade é essa? O seu furo é tão pequeno assim? O problema está em você que treme na hora de me colocar.
 - Fique quieta! Você está me atrapalhando. Aqui, na sala, está muito escuro. Vamos à janela do quarto de madame Justine. A claridade é excelente nesta hora da manhã, desta segunda-feira. 
- Pronto! Você conseguiu! 
- Cala a boca e anda! Vamos ao trabalho. 
- Não sei por que você está irritada, se você somente fura o pano!
- O problema é que você já começa a dar nó, mal começamos! Não posso seguir em frente se você não vier em seguida. 
- Não reclama não. Não tenho culpa de ser tão delicada e sensível... 
- Eu também sou e nem por isso deixo de cumprir a minha tarefa. Temos que fazer bem feito. Só assim madame poderá se sentir feliz e saber que pode contar conosco.
 - Chega de conversa mole! Vamos ao que interessa!
 - A tagarela aqui é você, por isso se enrosca e dá nó a todo instante. E perco muito tempo para os nós desfazer...a costura tem que seguir. Presta atenção e fala menos. 
- Tá bom. Tá bom... me desculpe, mas é que estou cansada de ir atrás de você. 
- De novo! Já é a décima vez! Logo você volta para a caixinha de costura. Colabora, vai. 
- Falta muito?
- Não. Vou colocar mais um pedaço de você e já...já concluiremos nossa empreitada. 
- Oba! Até que enfim! 
- Pronto! C' est fini! 
- Voltemos à nossa casa. A caixinha de costura nos espera! Agora vamos descansar. 
- Valeu, minha quase amiga! Vamos aguardar a próxima! Somos jovens e temos muito trabalho pela frente. Não esqueça: a união faz a força e juntas venceremos! Assim foi a conversa entre essas duas tagarelas! 

Dinorá

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