sexta-feira, 17 de abril de 2009

Estações do Ano I

DEVANEIOS

OUTONO - Começo do dia...friozinho...solzinho tímido...chocolate quente, agasalho...garoa...Ao trabalho! Folhas mortas pelo chão...Meio-dia...temperatura amena...almoço. Volta ao trabalho! Entardecer...chá quente... arrebol...nostalgia...saudade...solidão na multidão...Brisa...carros velozes...pedestres velozes...Pressa! De volta ao aconchego do lar...amado amante...filhos...Caldo quente, como os de Goiânia...Filme...pipoca...chá quente...Sono dos justos...Madrugada...frio.
Cobertor macio...Abraço...beijo...Amanhecer. Começo do dia...friozinho... solzinho tímido. A melhor das estações...OUTONO!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

De volta ao passado III

Em 1975, já casada, encontrei casualmente o jovem por quem me apaixonara. Conversamos bastante...ele ainda solteiro...Não mais o vi.
Tentei localizá-lo pela Internet...Não deu outra...Em 2000, consigo endereço e telefone...Liguei...Quem atendeu? O próprio. Conversamos, perguntei com quem ele tinha se casado...quantos filhos...
E para minha surpresa, ele falou que tinha se casado com aquela minha amiga e confidente...tinha um casal de filhos...Então nos despedimos.
Mais uma vez, Deus foi padrasto comigo.
Não satisfeita, parece que eu queria continuar sofrendo...No ano de 2008, de posse do endereço do fulano, fui até o apartamento dele, num sábado de janeiro, no bairro do Tatuapé. Apresentei-me ao porteiro do edifício e ele se comunicou com o apartamento dele...
Subi ao 11º andar...caminhei até a porta do apartamento que se abria...Fui recebida pela esposa que me convidou para entrar...sentei ...não demorou muito, a empregada chegou...Ela me mostrou fotos dos filhos de quando eram crianças...Ela disse que estava se arrumando para sair...foi então que eu perguntei por ele...Ele tinha viajado no dia anterior e ela ia ao encontro dele.
Só me restou voltar pra casa...e pôr um ponto final em tudo aquilo. Não telefonei mais, apesar dela ter me dito para ligar para marcarmos uma nova visita...
Será que Freud explica o amor platônico? Ou tudo isso é bobagem?

De volta ao passado II

Durante seis anos freqüentei a escola que era então chamada de Instituto Feminino de Educação “Padre Anchieta”.
Em 1962, pisei pela primeira vez naquela escola tão conceituada, a melhor da época, e só as “CDFs” entravam lá. Minha mãe queria porque queria que eu frequentasse a melhor escola. Nunca fui “CDF”, mas estudei, prestei o exame escrito e oral, com professores que me assustavam só de olhar...eram rígidos, bem vestidos ...com uma postura que nunca vi igual...sérios.
No ano seguinte, a escola aceitou os primeiros meninos, depois de 50 anos de escola feminina...
Lembro-me da D. Geni, professora magrela, alta, de matemática, da D. Linda, de Português, prof. Luisão, de Geografia, D. Maria, de desenho, de Canto Orfeônico, D. Branca, de história, D. Judite...de inglês, não me lembro nem de educação física...
Acontece que nesse ano, me apaixonei a primeira vista por um garoto de olhos verdes, narigudo, que comia pipoca na hora do recreio. Amor não correspondido. Resolvi me aproximar dele. Todas as manhãs, às 06:50, conversávamos no banco do pátio até a hora do sinal...Em toda oportunidade, lá estava eu assediando o garoto. As aulas de ed. física aconteciam na escola e às vezes, numa quadra, num outro bairro, na rua Taquari, em São Paulo. Às vezes, eu ia pra assistir aos jogos que ele participava, só pra ficar perto dele, lá na rua Taquari. Vibrava quando ele me pedia pra segurar seu casaco cinza...Uma vez, enquanto ele jogava basquete, uma rival cismou que queria segurar o casaco dele. Estávamos no vestiário do clube, brigamos, puxamos os cabelos...Ele não ficou sabendo dessa história...”Esse chove, não molha” durou os seis anos em que lá estudei. Uma outra garota se tornou minha amiga e confidente. Ela era apaixonada pelo Eduardo, loiro, de olhos azuis e eu, pelo de olhos verdes. Arranjei um encontro entre eles, mas o namoro não foi em frente. E o meu amor platônico continuou até que no final do ano de 1967, ele me entregou um cartão de Natal , com uma carta, colocando um ponto final naquele meu sofrimento... Retribui, entregando-lhe um cartão, escrevi uma poesia, que dizia mais ou menos isto: "Deus lhe pague pelos momentos de amor/Quem saber você me deu. Eu o queria tanto, mas tanto...Foi o Natal mais triste da minha adolescência...chorei muito...